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ASSASIGNO
( do livro Assassigno, 1987)
Nas fileiras das estantes
s-obram palavras e traças,
não reverse o veio Dantes
e por melhor que o faça.
A linguagem só se inventa
e joga com dado lance:
não poete de requenta,
por mais ilusão alcance.
Não amarele rolls-Joyce,
não faça Mallarmelada,
não eufemíssil a coice,
e não cante por cantada.
Não reboque barrocÁvila,
não confisque mais de Cláudio,
nunca re(x)clame da vida,
não se corrompa por gáudio.
Não panfleteie ideologia,
não holografe em atari,
não loversonhe as Marias,
não palavre: signatari.
Não venha com reQuevedos,
não lenhe em tom de Gregório,
não ordenhe ofício do aedo,
nem o público notório.
Não saque à 45,
não inverse poema processo,
não use mel, goma ou, em vinco,
divã-guarde retrocesso.
Não provencie a Goliardo,
não reenlouqueça os Ar(t)naudt,
não faça da fala fardo,
não insume com o cocô.
Não vá, não fique na onda,
não cáia naquela ou de porre,
não refaça plagioconda,
não suje o marfim da torre.
Não publique o poetego,
não bajule a panelinha,
não se desdenhe de cego,
não fale nas entrelinhas.
Não traduza o neo dos Campos,
não antifugue Bachstianunes,
não entre – linguagem é grampo,
não julgue a poesia impune.
Não Osvaldolatre perjuras,
não vá de Bandeira-dois,
não relate as escrituras,
não esqueça do nome aos bois.
Não leréie Pounderação,
não geléie de Cummings-kaze,
não reestréie rimar em ao,
não coquetéie a nova fase.
Não se distráia lendo Vico,
não se tráia sendo Ovídio ou
substraie obra do pinico,
não vaie nunca versuicídio.
Não bissexte pelo reto,
não se iluda sem Ver gílio,
não discursobre o concreto,
não purGuevara ou idílio.
Não almaminhe Vaz Camões,
não redobregue Huidobro,
não prosopopeie os sermões,
não estruturalize o adobo.
Não transuje o blanco Paz,
não urbanize João Cabral,
seja per-verso: abra o gás,
e cheire as flores do mal.
Não drummondeie substantivo,
não se cordeire em escola,
não academize Ledivo,
não Stanislauda o que assola.
Não sugarana de Rosa,
não chanteie a Éluard,
não diz que a rosa é rosa,
não liberte que será tarde.
Não dê uma de alcaGoethe,
reSousândrade o discurso,
não best-seller ou verbete,
não desMaiakovski os russos.
Não envie des-arte postal,
não deixe de reLeminski,
não derrame ode em sarau,
decubo-versal, Kandinsky.
Não pseudografe Pessoa,
não Freudelire Breton,
não escreva, a sério ou à toa,
não unte a língua de baton.
Não faça Kilkerrelease,
não passe por Eliotário,
não se banalize em silk,
não suplemente literário.
Não passe replay, desista,
Não há vítima ou lição:
Versejar, ora!, não insista,
O melhor poema é o não.
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